Turistas, esqueçam a beleza das praias ou a riqueza da cultura carioca. Agora a Cidade Maravilhosa é a Cidade do Sexo! Pelo menos parece que esta é a imagem que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, está tentando passar para o mundo. Como se não bastasse o importante e prestigiado título de Melhor Destino Gay do Mundo - afinal, era mesmo de um título desses que o Rio precisava para resolver seus problemas atuais -, anda circulando pela web e causando muita polêmica um vídeo institucional patrocinado pela RioTur chamado “Come to live the Rio Sensation”.
O vídeo exibe casais gays em hotéis, praias, restaurantes e ruas da cidade em cenas que trocam beijos e afeto. Internautas afirmam que o material tem forte apelo sexual, pois acaba estigmatizando a cidade do Rio como o “paraíso do sexo”.
A “propaganda” já foi exibida em feiras de turismo dos Estados Unidos e Europa, e divulgada em sites e blogs espalhados pelo mundo. Ou seja: a impressão que o mundo vem recebendo da capital carioca, com certeza, não tem sido das melhores.
Mas este não é o único questionamento daqueles que já assistiram ao vídeo.
Discute-se também o investimento do dinheiro público em ações que beneficiem apenas esta parcela da sociedade. Até porque, se o vídeo está sendo patrocinado pela prefeitura, de onde vem o dinheiro? Obviamente, do bolso do povo.
Para a universitária Julliana Amorim, 19 anos, este tipo de ação é um abuso. “A população, que paga os impostos, não é consultada sobre este tipo de investimento. E eu acho que a maioria não concordaria, porque existem outras necessidades, outras prioridades.
O dinheiro dos meus impostos não é pra isso”, diz a estudante.
Em vez de criar ações preventivas e coercitivas indispensáveis ao combate da exploração sexual por meio do turismo, o ocupante do mais alto cargo de liderança da cidade do Rio tem feito o contrário, e vem incentivando tais práticas. Ou você acha que divulgar um vídeo como este não favorece o crescimento das redes de exploração da prostituição e até mesmo o envolvimento de menores de idade? A verdade é que prefeitura do Rio não está trabalhando para o povo, mas sim para os públicos segmentados altamente lucrativos.
“A Ditadura Gay imposta por Eduardo Paes vem passando dos limites”, afirma Mauro Lopes, 50 anos, profissional liberal. “O prefeito quer transformar a cidade naquilo que a cidade não é. Uma minoria não pode falar por todos. Isso sim é preconceito”, diz Mauro.
Outras medidas absolutamente desnecessárias vem sendo tomadas no que diz respeito à comunidade LGBT. Enquanto a prefeitura se preocupa em garantir aos travestis e transexuais que utilizam os serviços públicos o direito ao uso do nome social ao invés do nome que consta no documento de identidade, a cidade continua mergulhada nos problemas que dizem respeito à saúde, educação, transporte público, moradia, saneamento e segurança.
É o Rio mergulhado na imoralidade, na falta de valores e princípios que respeitem a instituição familiar. Afinal, o que esperar de uma prefeitura que retira o ensino religioso das escolas públicas municipais e investe R$ 1 milhão na produção do filme pornô Bruna Surfistinha?
O que esperar de uma prefeitura que vem tratando os homossexuais como cidadãos acima dos demais e que, inclusive, dispõem de leis específicas? O que esperar de uma prefeitura que apoia veementemente a Parada Gay, mas não se mobiliza pelos profissionais da segurança que não recebem salários dignos?
Se, hoje, investir em turismo sexual é a opção do prefeito, imagine o que pode vir pela frente.